Há dias eu adiava o tal encontro. Cheguei a ser intimada via Gtalk "Tu tá me evitando?". E sim, estava. Falta de tempo, falta de entusiasmo quando tinha tempo. Sempre pensando "Estou feia, minhas roupas estão para lavar... ah, não vou sair!".
Até que não tive mais desculpas nem escolhas. O convite era para um chimarrão, no meio da praça, de tarde.
Eu nunca tinha sido convidada para um primeiro encontro às claras. É sempre algo misterioso, que envolve bebidas alcoolicas, carro e praia.
Desta vez era no meio da tarde, no final de semana, com chimarrão e sol.
Saí de casa feliz. O local de encontro era o chafariz. Fiz toda a volta e parei perto de um banco (de sentar), peguei o celular e escrevi rápido "Onde tu tá?", foi quando o vi sentar nos degraus do chafariz. Uma camisa do Chelsea, cuia, garrafa, cabelo loiro caindo na cara. Mais de 1,85m. Wow!
Nessas horas eu me pergunto... Eu tenho algo com loiros de cabelos lisos e olhos escuros? Sim, eles são os raros!
Cheguei, cumprimentei meio tímida. Ele explicava que um pombo tinha dado um tiro de cocô perto dele e tinha respingado algo no tênis. Passou um pouco da água quente do chimarrão e começamos a falar de... de... futebol! Logo após eu elogiar a linda camisa azul do Chelsea.
Depois vieram assuntos de faculdade, estágio, emprego, empresas, provas de semestre, livros (as armações da Feira do Livro estão no meio da praça, dando ares de cultura na sequência) e fomos emendando um assunto ao outro.
Não eram nem seis horas e a água tinha terminado. Hora de dar tchau? Não!
"Quer ir lá em casa?". Tava demorando para sugir uma investida, confesso que cheguei a torcer o nariz.
"Eu moro com uns colegas, eles devem estar assistindo filme... se tu quiser, sei lá... Bom, tá convidada... tá cedo ainda."
Caramba. Eu tenho vinte e dois anos, já passei da fase de fazer doce. Fui, fosse o que fosse!
Um apartamento térreo, não tão organizado quanto o desejado. Uma TV de tela plana, um rapaz sentado assistindo algo, simpático, por sinal.
E o doce anfitrião sai da sala e volta com um livro de Direito. Me mostrando como ele estudava para as provas. Fiquei perplexa. O livro era mais grosso do que qualquer que eu já tenha visto e tinha letras muito miúdas!
Ele me dá algumas opções de filmes. Escolho um e começa a sessão filme à meia-luz.
(confesso que nessa hora eu já estava receiosa)
Eu fiquei sentindo o perfume dele, não me arrisquei a perguntar qual era. E tinha uma corrente no pescoço, um escapulário, brinquei minutos com aquilo.
Perguntou se eu tava com frio. Por milagre, exatamente o contrário, estava louca de calor. Ele, gelado. Trouxe um edredom e cobriu-nos até a cintura. Eu tinha certeza que em questão de dois minutos eu estaria suando. Fui tirando minhas pernas pra fora da coberta, em movimentos suaves.
Pedi uma água. Pausa no filme. Tomei a água geladinha. Nisso eu percebi que ele estava de óculos (os meus eu tinha colocado para assistir o filme, porque na rua fiquei todo o tempo de óculos de sombra). E, God, ele era lindo de óculos... ainda mais lindo!
O filme seguiu rolando. Toda vez que a mão dele tocava na minha, um arrepio subia até a altura do ombro. Nunca tinha sentido isso!
Até quando eu ia resistir? Parei e pensei. Eu não estou resistindo! Tá tão natural.
E é só isso.
Está ao natural.
Desde o toque do celular, ao frio no estômago quando o "Oi ;)" pula no MSN, os likes no Facebook, links de músicas...
Perdi, perdi feio. Eu não consigo pensar em mais nada.
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